15/05/10

Silêncio


Um grande poeta, um dos "últimos românticos", como alguém o nominou. Da sua poesia, qual rochedo de basalto, que lhe atormentou a infância, vagueiam filões de palavras, eixos brutos de emoções, contundentes, e comoventes...

Uma noite,
quando o mundo já era muito triste,
veio um pássaro da chuva e entrou no
teu peito,
e aí, como um queixume,
ouviu-se essa voz de dor que já era a tua
voz,
como um metal fino,
uma lâmina no coração dos pássaros.

Agora,
nem o vento move as cortinas desta casa.
O silêncio é como uma pedra imensa,
encostada à garganta.

José Agostinho Baptista
http://www.jabaptista.com/

3 comentários:

Nelson Ricardo disse...

Belo poema, como se fosse uma expressão lírica da tristeza.

Fernando Samuel disse...

A saudade, a tristeza, a nostalgia - a beleza.

Um beijo.

smvasconcelos disse...

Nelson Ricardo: a poesia do José Agostinho Baptista é uma elegia, bela.
bjs,

Fernando Samuel: a literatura está repleta dessa beleza, sobretudo a poesia. :) beijo,