08/09/09

Os olhos das crianças

Dos poemas mais comoventes que li, de Sidónio Muralha:
(e por este poema também se viaja aos "capitães da areia", aos "esteiros"... e a tantos meninos "com lágrimas no rosto"que povoam a nossa realidade.)

Atrás dos muros altos com garrafas partidas
bem para trás das grades do silêncio imposto
as crianças de olhos de espanto e de medo transidas
as crianças vendidas alugadas perseguidas
olham os poetas com lágrimas no rosto.

Olham os poetas as crianças das vielas
mas não pedem cançonetas mas não pedem baladas
o que lelas pedem é que gritemos por elas
as crianças sem livros sem ternura sem janelas
as crianças dos versos que são como pedradas.

5 comentários:

samuel disse...

Gritemos então por elas!
Longa vida para o "Catarina de todos nós"!

Abreijos

samuel disse...

...e acabo de pendurar o "Catarina de todos nós" na lapela do "Cantigueiro".

Vamo-nos lendo...
Abraço.

smvasconcelos disse...

Obrigada Samuel!
Para mim é uma honra, um privilégio maior!, estar pendurada na lapela do "Cantigueiro". Isto deve ser a chamada "sorte de principiante"! :))
beijos,

fernando samuel disse...

Um belíssimo poema - que também já passou cá pelos meus lados.

Um beijo amigo

smvasconcelos disse...

Fernando Samuel:
Eu lembro-me. :))
E hei-de surripiar-te alguns poemas de vez em quando...O teu blogue é uma fonte de inspiração imensa, um lugar que se quer revisitar todos os dias.
Beijo,
Sílvia