23/08/10

Tu não...


Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia Mello Breyner


" Se carácter custa caro, pago (pagamos) o preço..."

7 comentários:

Fernando Samuel disse...

SOPHIA!

Um beijo.

César Ramos disse...

... na voz vibrante de,
Fanhais!...

Lembremos, outra 'actualidade':

meu povo que jaz
no dia que corre
que amanhece atrás
do dia que morre

meu povo navega
nos dias que vão
apodrecendo de ser
aquilo que são

meu povo que parte
em cada momento
meu povo que faz
do sonho alimento

meu povo que crê
na paz inventada
que lhe colocaram
atrás da enxada


Poema de: César Prates
Música de: Francisco Fernandes
Voz de: 'Padre' Fanhais

Lágrimas de:
César Ramos

Maria disse...

Eterna!
Sempre na voz do Fanhais...

Um beijo.

César Ramos disse...

Dedico à «Catarina», o post que acabei de fazer.

É com mágoa que vejo a História repetir-se!...

Abraço,

César

Nelson Ricardo disse...

Muito belo o poema. Canta a heroicidade de quem resiste com aquilo que tem, mesmo que seja pouco.

Bjs.

smvasconcelos disse...

Fernando Samuel: tem de se regressar a ela, sempre...:) Beijo,

César:Obrigada pelo poema, pela música, pelo post! Tudo muito bonito!!:)) Partilho da tua mágoa...Beijo,

Maria: è lindo, sim! :) Beijo,

smvasconcelos disse...

Nelson Ricardo: É isso! Trata da firmeza, integridade e coerência dos que lutam...:) beijo,