03/11/09

Sol do Mendigo


Olhai o vagabundo que nada tem
e leva o sol na algibeira!
Quando a noite vem
pendura o sol na beira dum valado
e dorme toda a noite à soalheira...

Pela manhã acorda tonto de luz
vai ao povoado e grita:
- Quem me roubou o sol que vai tão alto?
E uns senhores muito sérios rosnam:
- Que grande bebedeira!

E só à noite se cala o pobre.
Atira-se para o chão
dorme, dorme....

Manuel da Fonseca

Há muito que não lia nada de Manuel da Fonseca, desde a "Seara de vento", a "Aldeia nova" ou a "Rosa dos ventos". Saudades da família Palma e do conflito com as forças oligárquicas da sua aldeia, e do Mestre Finezas e da Maria Altinha... textos lindíssimos repletos de investidas sociais e políticas e , claro, de um humanismo sensibilizador.

Hoje um amigo enviou-me este poema por e-mail e não resisti a postá-lo aqui. Era um dos poemas favoritos do seu pai, José Salsorte, também ele, um poeta de muitas lutas.

2 comentários:

Armando Sena disse...

Que pena eu não perceber nada de poesia para poder comentar a análise que a autora faz a tão belo poema.

smvasconcelos disse...

Percebes mais de poesia do que imaginas. Então e Pedome que é, senão um poema que reescreves todos os dias?
bjs