LÁGRIMA DE PRETA
Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
António Gedeão
Qualquer preconceito é desprezível e não merecedor da condição humana.
De igual modo, os mecanismos sociais que discriminam comportamentos diferentes são inviáveis numa sociedade que se quer justa e igual, e como tal não há espaço para os ditos " grupos dominantes".
Que movimentos como estes - apartheid, nazismo ,ku klux klan e outros similares - não voltem a vingar na História!
3 comentários:
Apartheid, nazismo, etc: é tudo capitalismo...
Um beijo.
E importa resistir!
Conheci este poema, era eu "menino e moço", na voz da Adriano numa canção composta pelo José Niza. Faz parte do album "Gente de aqui e de agora" do ACO. A voz do Adriano dá-lhe uma densidade enorme.
Enviar um comentário