26/09/10

SONETO DA CARTA



Amor, que a vida em morte em mim convertes,
espero em vão tua palavra escrita
e, flor a se murchar, meu ser medita
que se vivo sem mim quero perder-te.

É infinito o ar. A pedra inerte
nada sabe da sombra e não a evita.
Íntimo, o coração não necessita
do congelado mel que a lua verte.

Por ti rasguei as veias às dezenas,
tigre e pomba, cobrindo-te a cintura
com luta de mordiscos e açucenas.

Tuas palavras encham-me a loucura
ou deixa-me viver minha serena
e infinda noite da alma, escura, escura.


Frederico Garcia Lorca , um poeta que foi assassinado porque era considerado "mais perigoso com a sua caneta do que outros com revólver."

6 comentários:

Armando Sena disse...

Demasiado sombrio embora belo. Pra frente!!!

trepadeira disse...

Assassinado á las cinco de la tarde,á las cinco en punto de la tarde.Ainda criança.
Um abraço,
mário

O Puma disse...

Boa memória

Bj

Fernando Samuel disse...

Obrigado por esta lembrança...

Um beijo.

Nelson Ricardo disse...

Um poema sobre o amor arrancado do mais fundo da alma do poeta.

bjs.

smvasconcelos disse...

Armando: belíssimo! beijo,

Mário:Uma morte indignante, precoce, cruel..."a las cinco de la tarde". beijo,

Puma: é, sim:) beijo,

Fernando Samuel: Um beijo:)

Nelson Ricardo: eu adoro este poeta.:) beijo,