07/03/10

Mulher em Liberdade

Oiço, em cada ano, a contestação pela existência deste dia - o Dia Internacional da Mulher. Em franqueza , também não sou defensora da marcação de dias para assinalar tanta coisa, incute uma certa obrigatoriedade restritiva de comemorações, pouca reflexão e sobretudo, quase sempre, nenhuma resolução. O dia de hoje tomo-o como excepcional, e assumo que talvez não me seja contrário o facto de eu mesma ser mulher. Este dia reveste-se como um grito, como um apelo, a uma maior dignificação da mulher. E mesmo aqui tão perto, na sociedade ocidental que se vangloria por democracias promotoras da igualdade dos géneros, assiste-se a um fosso desigual que se traduz- ainda - por salários inferiores, por menor valorização profissional, por preterição na selecção para alguns postos de trabalho. Lembro-me, inclusive, de um dia me terem dito de forma informal e descaradamente afável, quando trabalhava a contrato numa multinacional, que não me poderiam renovar o contrato até perfazer o tempo legal para efectivação porque ... era mulher! "As mulheres têm licenças de maternidade, não têm tanta disponibilidade para viagens, para se embrenhar no trabalho..."- foi mais ou menos o que me justificaram. E isto aconteceu há poucos anos, e se tivermos em conta que nasci por altura de ABRIL, a indignação acresce, pois esta, era suposta ser a altura em que as igualdades (todas elas...) já deveriam estar consolidadas...
Depois há tratos de outra natureza... a violência que se sobrepõe à mulher, seja ela física ou psicológica, retrato de uma covardia social que se insurge sempre contra os mais fracos, e a desvalorização sexual da mulher, subtraindo-lhe a dignidade que lhe é intrínseca enquanto ser componente desta natureza humana.

Por tanta luta que ainda urge travar, pelas mulheres de hoje, pelas filhas das mulheres e dos homens de hoje; pela reiteração da igualdade de direitos entre os géneros; pelo protesto contra mutilações, espancamentos públicos, sentenças de morte e outros atentados contra a integridade feminina; e pela memória das mulheres que morreram queimadas em 1857 por reinvindicarem igualdade salarial numa fábrica em Nova Iorque, pelas que lutaram pelo direito ao voto, pelo direito aos estudos, pela emancipação feminina... é que é, ainda, justificável a sinalização desde Dia Internacional da Mulher.


Em Liberdade
somos
nós mulheres o cimo
da raíz


O caule que
suporta
o peso do fruto e da flor


No ventre das mulheres
o sossego é fértil


em nós cresce o amor


Maria Teresa Horta

2 comentários:

fernando samuel disse...

Justificável e indispensável.

Um beijo.

svasconcelos disse...

É outra luta nossa, que temos sabido dignificar.. beijo,