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25/07/10

O menino gigante


A dor sulcou-lhe dois vincos no rosto. Quando uma lágrima insistente lhe causticou o sorriso que outrora ostentava, o torpor acompanhou-a e prostrou-a.
Fulminou-a um brilho que supôs a promessa dos seus anseios, pelas palavras de um Homem que imprimira com o grande "agá" (H). Soltaram-se odes que a paixão ecoou e as laudes de um amanhecer que descaía na partilha do Ideal. Depressa se fez prisioneira de uma quimera onde o afecto, a verdade, a lealdade e a frontalidade se aparentavam na confluência de dois seres que, afinal, não existiram.

O Homem fez-se menino, e ao invés da promessa que um dia discorreu da doçura dos seus lábios, vagueou na atrocidade de silêncios e mentiras, quais punhais lapidares, que a desertaram na eternidade... Não foi solitária nessa dor. O menino devastava sentimentos, semeava sofrimentos, nos trilhos sinuosos onde se moveu como um predador. E aos protestos - tantos!, e aos urros da dor irreprimível de tanta gente, convertia o discurso em proveito próprio, vitimizando-se. Depois recolhia-se num mundo impenetrável, carregado de frieza e revanchismo, de tristeza e solidão.
Como a fugir...

Por tantas vezes seguiu-o. O olhar que lhe devotava vislumbrava-o, apesar de tudo, como um menino agigantado pela carência dos afectos que repudiou. Na resiliência da alma que tinha, debateu-se por si e por tantos outros, empunhando a revolta, o grito que bradava a força da sua crença. Mas também se perdeu no impropério violento e corrosivo que lhe minou a razão. Era um menino, afinal: as emoções apropriavam-se brutalmente do seu ser, sem a antevisão de consequências, nem tão pouco das susceptibilidades e filigrana dos sentimentos alheios.

Amou-o, porém, na plenitude das suas imperfeições. Mas também na convicção de que no âmago deste homem, era um menino gigante que se avultava. Soubesse alguém amá-lo, soubesse ele deixar-se amar...e a grandeza da sua alma emergeria dos escombros tumultuosos, onde se quer perder.

Sem deixar de o entrever, ela partiu.
Mas estará sempre onde, só ele, a saberá encontrar...

28/05/10

Parabéns, Sra. Gata


Hoje, esta Sra. Gata , faz 15 anos!

O pormenor (lamentável, pronto...) de ser no dia 28 de Maio, é rapidamente esquecido, face à amizade que me devotou ao longo destes anos. :)))

Reparo agora que me acompanha há, quase, metade da minha vida... É uma grande companheira! Um ser meigo, dócil, sedutor e com graça, que no entanto também se afirma de garras em riste, quando atentam contra si... É uma gata que já se vai rendendo aos anos, pouco caça, e dorme a maior parte do tempo, porém ainda preserva a capacidade de brincar e interagir comigo. Ainda hoje, na maior parte dos dias, vai esperar-me à porta quando chego. Continua a acordar-me de madrugada e mia incessantemente ( e irritantemente, confesso...) enquanto não me levanto. Continua a dar-me marradinhas de afecto e, não raras vezes, se aninha em mim a ronronar e a "massajar-me" com as patinhas de garras recolhidas, enternecida.

Por vezes, persegue-me pela casa com uma lealdade canina, e aparentemente sem qualquer interesse, como se pretendesse apenas acompanhar-me. Surripia-me os elásticos do próprio cabelo e da carteira,onde os guardo; abre gavetas para os tirar, além de roupa e papéis, que espalha pelo chão. Quando como, investe-me o prato para o cheirar e provar, e à minha reprimenda, invariavelmente, vai para o seu próprio prato como se quisesse "acompanhar-me" na refeição.

À noite, deita-se ao meu lado no sofá enquanto leio, e dorme. Quando me vou deitar, sou eu que a pego ao colo e a arrasto para o pé de mim. Aninha-se aos meus pés e ali fica, como a velar-me, toda a noite.

E hoje, celebro mais um ano na sua companhia. É um orgulho, de "dona" "babada" e piegas ! :)))
Há pouco, um amigo, que também faz anos hoje, gracejava-me por sms: " A gata nasceu no 28 de Maio, mas é comunista, certo?!".
Com tanta camaradagem, meu amigo,que mais podia ser?:))