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28/05/10

Parabéns, Sra. Gata


Hoje, esta Sra. Gata , faz 15 anos!

O pormenor (lamentável, pronto...) de ser no dia 28 de Maio, é rapidamente esquecido, face à amizade que me devotou ao longo destes anos. :)))

Reparo agora que me acompanha há, quase, metade da minha vida... É uma grande companheira! Um ser meigo, dócil, sedutor e com graça, que no entanto também se afirma de garras em riste, quando atentam contra si... É uma gata que já se vai rendendo aos anos, pouco caça, e dorme a maior parte do tempo, porém ainda preserva a capacidade de brincar e interagir comigo. Ainda hoje, na maior parte dos dias, vai esperar-me à porta quando chego. Continua a acordar-me de madrugada e mia incessantemente ( e irritantemente, confesso...) enquanto não me levanto. Continua a dar-me marradinhas de afecto e, não raras vezes, se aninha em mim a ronronar e a "massajar-me" com as patinhas de garras recolhidas, enternecida.

Por vezes, persegue-me pela casa com uma lealdade canina, e aparentemente sem qualquer interesse, como se pretendesse apenas acompanhar-me. Surripia-me os elásticos do próprio cabelo e da carteira,onde os guardo; abre gavetas para os tirar, além de roupa e papéis, que espalha pelo chão. Quando como, investe-me o prato para o cheirar e provar, e à minha reprimenda, invariavelmente, vai para o seu próprio prato como se quisesse "acompanhar-me" na refeição.

À noite, deita-se ao meu lado no sofá enquanto leio, e dorme. Quando me vou deitar, sou eu que a pego ao colo e a arrasto para o pé de mim. Aninha-se aos meus pés e ali fica, como a velar-me, toda a noite.

E hoje, celebro mais um ano na sua companhia. É um orgulho, de "dona" "babada" e piegas ! :)))
Há pouco, um amigo, que também faz anos hoje, gracejava-me por sms: " A gata nasceu no 28 de Maio, mas é comunista, certo?!".
Com tanta camaradagem, meu amigo,que mais podia ser?:))

11/01/10

Prevenção e primeiros socorros a animais II


PROBLEMAS DE PARTO
A gata entrou em trabalho, que acontece?
A primeira fase do trabalho de parto pode durar algumas horas, em que o colo do útero se abre, ocorrem contracções involuntárias do mesmo e o gatinho começa a ser empurrado para o exterior (aparece uma bolsa translúcida). A gata pode apresentar uma respiração mais ofegante e ronronar.
A segunda fase é mais rápida, demora alguns minutos, não mais que uma hora e pouco. Começa quando o gatinho aparece no interior da membrana. As contracções ocorrem de 15 em 15 minutos ou de 30 em 30, depois diminuem o seu intervalo de tempo e o feto é expulso pouco depois. (Nota : pode ocorrer que o gatinho nasça pelas patinhas de trás, não é problemático se acontecer nesta espécie).
A terceira fase é a da expulsão da membrana e da placenta que envolvem cada um dos gatinhos.
O gatinho nasce, a fêmea limpa-o e anima-o, corta o cordão umbilical com os dentes e pode comer a placenta.
Depois de nascidos os gatinhos, basta certificar-se que todos mamam na "sua " teta para receberem o colostro (o primeiro leite que tem muitos anticorpos e muitos nutrientes).
Como tratar um gato débil?
Se o gatinho está frio e fraco , deve-se aquecê-lo (junto a uma fonte de calor ou envolto num pano quente), limpar-lhe as vias respiratórias (nariz e boca) e massajá-lo. (Sobre a reanimação dos gatinhos falo no próximo post.)
O parto está a demorar?
O tempo que demora entre a expulsão de um gatinho e de outro pode variar de 5 minutos a duas horas. Por vezes a gata pode dar à luz uma parte dos gatinhos e só 12 a 24 horas depois expulsa os restantes. Não há razões para preocupação se:
- O primeiro grupo da ninhada nasceu sem problemas e em intervalos curtos
- A gata parece bem, não parece prostrada, dá de mamar às crias, e aceita comida
Preocupar-se quando:
-Se se notar que a gata está muito fatigada, desinteressada e apática durante ou após o parto
-A gata estiver com contracções mais de 2 horas sem dar à luz um gatinho, ou depois de já ter tido algum esteja um longo período (superior a 2 horas) sem expulsar os restantes fetos.
-A gata tiver entrado em trabalho de parto e não expulsa nenhum feto após 6 horas
-Se após o parto a fêmea sangrar abundantemente, ou houver uma descarga vaginal com cheiro fétido
- Se a gata não começar a comer normalmente após 12 horas decorridas do parto
-Se o animal tiver febre (colocar termómetro doméstico, com lubrificante, no orifício anal. A temperatura normal situa-se entre 37,8 e 39,2 graus)
- Se não tiver interesse pelos filhotes
Neste caso, contactar o veterinário!
Quando se deve ajudar?
Pode acontecer que uma gata novita e inexperiente não saiba agir correctamente com os seus gatinhos e, por exemplo, não lhes rasgue as membranas nem lhes corte o cordão umbilical. Neste caso pode interferir-se, rasgando essa membrana com os dedos. De seguida enxuga-se o gatinho com um pano aquecido. Se ele respirar, guinchar, contorcer-se, corta-se-lhe o cordão umbilical. Como? Numa solução tipo betadine coloca-se uma tesoura e uma linha para desinfectar, e apertar esta última a mais ou menos 3 cm do umbigo, dando um nó duplo. Depois é só cortar o cordão a mais ou menos 1 cm desse nó. Passar tintura de iodo nesse corte, e caso esteja a sangrar atar-lhe uma linha desinfectada.
Situações possíveis em que se tenha de ajudar a mãe:
1) A cabeça do gatinho aparece à saída da vulva mas a gata não consegue expeli-lo. Que fazer?
- Limpar bem as mãos e limpar a zona em redor do ânus e vulva da gata com desinfectante (betadine, por exemplo)
- Romper as membranas com os dedos para libertar a cabeça do gatinho e permitir que este respire
- Agarrar com cuidado no gatinho pelo ombros, tirando qualquer membrana que o envolva e fazer força, mas ligeira e lentamente, para fora e para baixo. Pode tentar rodar-se ao de leve o animal para a esquerda ou para a direita até este sair.
2) Uma das pernas apresenta-se pela vulva.
Introduzir um dedo na vagina do animal e encontrar a outra patinha, puxando-a lentamente para fora e proceder como no ponto 1.
3) O feto apresenta-se de trás.
Agarrar o gatinho pelas ancas e agir como na situação 1.
4) A placenta ficou retida.(não a expulsa nas 8 horas após o fim do parto)
Retirá-la manualmente, mas aplicando uma força controlada e firme. Se não se conseguir, deve levar-se a gata de imediato ao veterinário.
Nota final:
Os problemas de partos são inúmeros, pelo que deixo aqui, pelo menos, duas recomendações que podem evitá-los:
- Vacinar os animais
- Monitorizar a gestação, levando as gatas a uma consulta veterinária pré-parto para avaliar o seu estado de saúde, a viabilidade dos fetos e (importante!) verificar o número de crias que irão nascer.

21/11/09

Poema do Gato

Quem há-de abrir a porta ao gato
quando eu morrer?
Sempre que pode
foge prá rua,
cheira o passeio
e volta pra trás,
mas ao defrontar-se com a porta fechada
(pobre do gato!)
mia com raiva
desesperada.
Deixo-o sofrer
que o sofrimento tem sua paga,
e ele bem sabe.
Quando abro a porta corre pra mim
como acorre a mulher aos braços do amante.
Pego-lhe ao colo e acaricio-o
num gesto lento,
vagarosamente,
do alto da cabeça até ao fim da cauda.
Ele olha-me e sorri, com os bigodes eróticos,
olhos semi-cerrados, em êxtase,
ronronando.
Repito a festa,
vagarosamente.
do alto da cabeça até ao fim da cauda.
Ele aperta as maxilas,
cerra os olhos,
abre as narinas.
e rosna.
Rosna, deliquescente,
abraça-me
e adormece.

Eu não tenho gato, mas se o tivesse
quem lhe abriria a porta quando eu morresse?

António Gedeão *

É um dos poetas que mais gosto, talvez porque teatralizei muito cedo alguns dos seus poemas, e tornaram-se, para mim , inesquecíveis : " Calçada de carriche", "Lágrima de preta", "Pedra filosofal", entre outros, e, claro, este "Poema do gato".
Porque ao contrário do poeta, eu tenho gato. :)

04/10/09

Dia mundial do animal

Hoje, em vários pontos do país, comemora-se o dia do animal ( e do Médico Veterinário) organizando campanhas de sensibilização e adopção de animais abandonados. É de enternecer a expressão de muitos destes animais. Têm um tal olhar que perturba de tão comovente, a que não é alheia a história de abandono e o próprio stress que estes eventos implicam, por mais bem intencionados que sejam.
Pela experiência que tive em algumas destas acções, a taxa de sucesso de adopção é enorme, sobretudo graças a crianças que retêm teimosamente os pais no recinto, encantadas com aquela espontaneidade e ingenuidade de quatro patas...tão similar à delas, afinal....
Entre súplicas persistentes, apelos com lágrimas e exigências firmes, os pais lá se rendem ao convívio dos nossos amigos. E felizmente , a maioria destas histórias são felizes. Os animais encontram ou reencontram um lar que os acolhe "para sempre"...

Excepções a este final, também existem muitas, com a devolução às instituições de acolhimento e à reincidência do abandono. É incompreensível a insensibilidade, responsável por histórias miseráveis de maus-tratos aos animais, que além do abandono, incluem envenenamentos deliberados e outras torturas psicopáticas, que põem a cobro o pior do ser humano... Ainda hoje há quem afirme que os animais não sofrem como nós, que não padecem de stress como nós. Pessoas incapazes de reconhecer nestes seres um amigo. E que amigo!, soubessem eles...
Viver com um animal, trabalhar com eles e para eles, é para mim um privilégio, um orgulho imenso, o que por si só torna o meu trabalho, provavelmente, menos stressante que os demais.

E remato a parafrasear Leonardo da Vinci (1452-1519):
"Chegará o dia em que os homens conhecerão o íntimo dos animais e, neste dia, um crime contra um animal será considerado um crime contra a humanidade".

... Até porque as sociedades e os valores a elas inerentes também se traduzem no reconhecimento de que "os animais são nossos amigos".

24/09/09

Arca de Noé - Parte II


Era uma gata pequena e soturna. Tinha nos olhos o baço de um verde que não pude entender. Sobrevivia de fábulas, cismou numa ilha de lendas do mar, solitária premente nos enganos da vida. Esquivou-se de afectos, e desfiou-se nos dias, em desalento, narrando estórias para viver.

Conheceu-a ao acaso numa ponte, filigrana de encontros e despedidas, quando ao longe lhe acenava um adeus daquele que vivia dentro de si. O cão tinha um Poeta. Um transeunte da memória que insistia em não partir. De vez em quando encontravam-se sobre os escombros de um passado que os uniu. Ficavam em silêncio, e afagavam-se em saudade, nas promessas de um futuro em que nenhum acreditava. Deixava-o partir, para o poder esperar....e sonhar.

A seu lado, a gata perguntava-lhe:
- Porque partiu o teu Poeta?
- Partiu, talvez, para poder chegar...
- Aonde? - Interrompia-o no pulsar da indignação
- Ao fim do seu destino...
- Quem é o destino? - Indagava-o perplexa.
- É um archeiro, que se inflecte nos mistérios da vida.

A gata não insistia. Tomara-se pelo ensejo de ver navios, e logo se desprendia de qualquer mistério, que a fizesse desviar do mar.
Era sempre a primeira a acordar, e naquele dia antecipou-se na alvorada. Corria desvairada pela enseada, espairecia nos segredos das árvores, espantava o silêncio dos pássaros, arreliava as mariposas, assustava ratinhos perdidos na encosta, ensarilhava-se com os coelhos que a desafiavam nas tocas... e ria-se como nunca, divertida, aloucada de visões de uma planície imensurável de água, tingida de sons e de brilhos, onde se embebiam os navios que sonhava.
José também ria, incapaz de a repreender e reprimir-lhe a traquinice.
A gata soltava miados de euforia, cantorias de aleluia nos voos da alvorada. E vivamente mordiscava josé para o acordar. E josé fingia-se preguiçoso, para perdurar aquele afago...

- josé , temos de partir para o mar! - gritava ela jovial. E foi quando josé sentiu a convulsão da verdade que adiava. O mar!...
- Perdi-me do mar há tanto tempo... já não sei o caminho para lá chegar... - confessou-lhe, por fim.

Ah, as verdades.... assassinas impiedosas que se debatem nos estreitos do norte, auspícios de morte, no coração de uma vida que se contorce de sonhos....


(Continua...)

22/09/09

Arca de Noé - Parte I


Um conto, um tributo a dois seres especiais, escrito há uns anos :))


Distraí-me um dia enquanto vigilava o horizonte, sempre velado em segredos que não se desvelavam, no corrupio estonteante dos grandes navios que o cortavam.

Nas encostas do meu refúgio, que se debruçavam no mar, vi dois seres que se aninharam em mistérios de vida e ao abandono do que ditaram os homens. Brilhavam na encosta íngreme de afectos, e reluziam na cumplicidade de quem derrubou uma fronteira. Ele era um cão, envelhecido pelo destino, seteiro trocista, que na última jornada se lhe infligira aquele encontro.

Enamorei-me daquele ser, e abandonei as viagens que desterravam o meu olhar, em proas imaginadas dos meus navios de dor.

Vestia-se de uma pele fogueada pelo sol sobranceiro, que lhe adocicava o olhar. Era um cão robusto, mas cansado, cativo nos delírios da ternura que o crivaram à nascença. Dos seus olhos, espreitei-lhe a alma. Eram da cor da terra que se sonha em demência, da cor da ilha que se esqueceu, um dia, em abismos de saudade. Li um suspiro no seu olhar, mas não entendi o vale que se sulcou pelo peso de tanta dor.

Senti-lhe a solidão, companheira de um mar à deriva, que lhe foi fiel. Acorrentou-o a amargura, que não se desfazia ao abandono da memória. E o medo apossou-o de uma história que se escreveu na tristeza do olhar.

Vivera sempre na rua, ou como se fosse. Só não vive ao abandono, quem regressa ao fim do dia por um caminho que lhe serve de morada, ao encontro de um afecto que se repete, em cada dia que se sonha.

Tivera poucos amigos, e os que que ficavam um dia partiam sem se despedir. E ali ficava, acorrentado pela mágoa de não os poder seguir. E os seus dias faziam-se à espera de um amanhã, que tardava em afluir no horizonte.

Quando o conheci não estava só. A seu lado, debruçada no calor da ternura que ainda aprisionava no corpo, estava ela, uma gata esquiva e matreira, mímica graciosa na arte de encantar.

Ouvi-a ronronar em segredo, ao ouvido do cão, que se chamava josé:
- josé! - chamou-o. Ele olhou-a de soslaio, intrigado com aquela voz meiga e enternecedora, que afinal escondia um só propósito:
- É amanhã que me levas a ver o mar? - Ele riu-se do seu olhar que se transfigurara. Ao invés do olhar astuto e felino, transbordou-lhe dos olhos o brilho da ternura, que o cão sabia ser condicionado, pela sua resposta.

Não a poderia levar ao mar, estava cansado de o sonhar, e há muito que o perdera na lonjura dos montes, no tempo que lhe desfez o faro em maresia.
Mas era incapaz de lho dizer. O seu olhar demudado em incandescência de afecto, era o resquício de mar que o ancorava no mundo, o último porto que o fazia sonhar. E mentiu-lhe:
- Sim... amanhã levo-te a sonhar nas fragas do mar...
- E a velejar um navio? - Continuava risonha e sonhadora , a gata, que cativara o coração do cão.
Ele sorriu-lhe, mas emudeceu. recostou-se ainda mais no aconchego do seu corpo, e deixou-a ronronar em logros de utopia, que a coroavam de princesa na ilusão do seu mar....

(continua,...)

09/09/09

Sra Gata, 14 anos, co-autora do "Catarina de todos nós"


Surgiu-me um dia, há 14 anos, como alguns imprevistos que se revertem em alegrias perenes na minha vida. Seria a intermediária para a entregar a um "dono", que eu arranjara, sensibilizada pelo destino que lhe caberia se não lhe arranjasse um lar. Ficaria comigo uns dias de acordo com o combinado, antes da entrega , que a levaria para o Porto.
Era uma estudante universitária, a residir num quarto, e acatei a decisão de a albergar mesmo ali por uns dias, não obstante o incómodo óbvio que isso me causava.

Passaram dias a que se sucederam semanas, e em cada dia a repetição de gestos que dimensionaram a imensidão do afecto que se agigantava em nós, sem que nenhuma se apercebesse. Acordava-me de madrugada com miados que desencadeavam em mim uma resmunguice tal, que me forçava a levantar para lhe dar de comer, mais para a calar do que para a alimentar. Ela, ainda insatisfeita, apesar do prato estar atestado com os croquetes mal cheirosos que me nauseavam logo de manhã, perseguia-me até à cama, no meu regresso, para me sussurrar uns quaisquer mios e aquele estertor enternecedor que é o ronronar dos gatos. Entre marradas e cabeçadas que investia com meiguice no meu rosto, e as minhas rejeições que a atiravam para fora da cama , ao que ela retorquia com regressos repetidos, acabava sempre vencida pela sua teimosia, e envolvia-a, pequenina e meiga, nos meus braços e afagos, e assim ficávamos por um tempo. Tempo que correspondia sempre à sua vontade, não será preciso dizê-lo...

E depois era vê-la saltitar , enlouquecida de alegria para cima da minha secretária, e entreter-se de imediato com os lápis que escorregavam aos seus toques delicados, a princípio, depois aguerridos, com força e determinação para os atirar para o chão.
Entre tantas tropelias, os meus gritos de reprimenda, as palmas (Nunca palmadas!!) que batia para a assustar e demover da vontade de invadir tumultuosamente o chão daquele quarto, com fotocópias, canetas, borrachas e até bolachas, a nossa amizade foi-se insurgindo de mansinho, quase tão matreira como a Gata.
Sim, Gata com maiúscula, pois é o seu nome. Nome esse escolhido por si, quando , já decidida a ficar com ela, a tentei chamar de "Mia", nome catita, achava-o bonito para uma gatinha miadora como ela. Recusou-o, ignorava tal chamamamento, e as minhas tentativas de a educar eram logradas face a tamanha indiferença.
Por acidente, chamei-a de gata. Espanto meu, olhou-me, miou e veio ao meu encontro, assim, tudo de uma vez. Que mais poderia eu depreender? Albergara o ser com mais carácter que me poderia caber.

E um dia, quando a vieram buscar, só fui capaz de proferir que ali, ao pé de mim, naquele quarto pequeno, com uma pequena varanda que a enternecia durante horas, junto a um alpendre, imbuída em pensamentos e vislumbres, ali naquele recanto afectivo, era o seu lar!

Hoje, volvidos 14 anos, que na sua dimensão felina são muitos, muitos mais, já não se atira das estantes, nem corre tresloucada pela casa (embora mantenha o péssimo hábito de me acordar pela aurora..). Resigna-se, aconchegada, à quietude dos seus dias, à comodidade do seu sofá, ao amparo dos meus afectos. E aqui, perto de mim, enquanto a tributo neste blogue, insiste na candura que sempre a revestiu, vociferando, enternecida , o ronrom que me comove.

(Acho que me pede para ser co-autora deste blogue... pensando bem, é-o por direito )
:)