... na deambulação modorrenta dos domingos, abri um livro de Torga (Antologia Poética) ao acaso, para postar este poema:
Passa um navio ao largo dos meus olhos
(os meus olhos, agora, são azuis,
Imensos e navegáveis...).
Passa moroso, como um desejo
Insatisfeito.
Passa, e morre desfeito
Em bruma de ilusão
Na curva do horizonte cruciante
Que cerca a solidão
de quem sonha, tolhido, um cais distante...
Miguel Torga
Passa um navio ao largo dos meus olhos
(os meus olhos, agora, são azuis,
Imensos e navegáveis...).
Passa moroso, como um desejo
Insatisfeito.
Passa, e morre desfeito
Em bruma de ilusão
Na curva do horizonte cruciante
Que cerca a solidão
de quem sonha, tolhido, um cais distante...
Miguel Torga
5 comentários:
Sonhar um cais distante... - se possível não tolhido...
Um beijo.
Poderia ser o Santa Maria.
Um abraço,
mário
A crueldade realista do Torga, esse Trnsmontano inveterado.
Ontem ardia a terra dele, literalmente.
beijos
Fernando Samuel: quem sonha em dobrar o horizonte anos a fio, muitas vezes acaba por tolher-se... Um beijo!
Mário: e a operação Dulcineia:)) beijo,
Armando: Trás-os-Montes tem boas cepas e torgas:)) Pois, aqui também ardeu 10 % do território, acreditas nisto?! Uma catástrofe e o governo a irreponsabilizar-se outra vez...:(((
Cheguei a ir a São Martinho da Anta, quando aí vivi... Comoveu-me porque era a terra do Torga.:) Um beijo,
Basta-me sair à rua para ver o Atlântico espalhar-se até ao horizonte. Vantagens de viver num país à beira mar plantado.
Bjs.
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