Ando arredada do blogue, mas não podia deixar de assinalar a importância do dia de amanhã! De seguida um artigo que sintetiza todos o motivos para amanhã sairmos à rua e vincarmos o nosso protesto:
"No próximo sábado as cidades do Porto e de Lisboa serão palco de duas grandes manifestações convocadas pela CGTP-IN contra o empobrecimento e as injustiças, pela defesa do direito ao emprego, ao salário, às pensões e à Segurança Social.
Estas são razões de sobra para sair à rua e para fazer destas acções poderosas jornadas de luta. Mas a sua importância vai muito mais para além disso. Elas terão uma importância central na determinação das condições para as duras batalhas que se vão seguir em defesa das conquistas de Abril, da democracia e do presente e futuro soberano do País.
Simultaneamente serão um importantíssimo contributo para a luta de todos aqueles que mundo fora enfrentam, cara na cara, a criminosa ofensiva do imperialismo. Serão um estímulo para aqueles que expostos à chantagem do medo e do conformismo vêem na luta dos seus iguais, onde quer que eles estejam, um acto de profunda dignidade e um impulso mais para intensificar a luta e construir futuro.
Ter a consciência de que sair à rua, dando expressão de massas à nossa indignação e ao nosso direito de viver com dignidade e decidir do nosso próprio destino, conferindo à nossa própria acção individual o carácter colectivo de um grito e de uma acção organizada, demonstrando onde está a verdadeira força que pode transformar o mundo, é, nos dias que vivemos, de vital importância para cada um de nós, para todo o nosso povo e para a Humanidade. É esta a importância real e central daquilo que se vai passar no sábado.
O sistema capitalista está mergulhado numa profundíssima crise da qual não está a conseguir sair nos marcos dos seus dogmas políticos, ideológicos e económicos. Estamos perante uma crise que na sua mais profunda essência não é aquela que aparece nos jornais – uma «mera» crise financeira e económica. Não! Estamos a viver uma situação histórica de rápido e abrupto aprofundamento da crise estrutural do sistema capitalista que escancara a sua principal contradição e que traz para a luz do dia a evidência dos seus limites históricos, a sua natureza exploradora, opressora e criminosa, assim como as contradições entre os seus principais agentes e defensores.
O que as inúmeras declarações e reuniões dos principais centros de coordenação do imperialismo – incluindo da União Europeia – realizadas na última semana demonstram é que as classes dominantes só têm uma resposta para a crise: tentaram, e vão continuar a tentar, transferir para os trabalhadores e os povos os custos da sua crise, usando para tal os estados e as instituições do imperialismo que controlam. Querem, e vão continuar a querer, que o grande capital – o seu Deus, a sua razão de existir – continue a ditar os acontecimentos. Optaram, e vão continuar a optar, por um salto qualitativo na recolonização do planeta, massacrando populações, subjugando estados e os seus povos. Decidiram, e vão continuar a decidir, calar todos os que falam verdade e não se submetem.
O mundo não está condenado à barbárie
Mas tudo isto não é um sinal de força, é de fraqueza! As declarações de Merkel e de Obama, sujas e podres de ódio contra os povos da Europa, ameaçando com o retrocesso civilizacional e apontando o caminho do colonialismo do século XXI, não são provas de coragem. São de medo e de fraqueza! E é por isso que dramatizam novamente o discurso da crise para, aterrorizando os povos com o discurso apocalíptico da economia mundial, abrir mais campo ao terror social e ao roubo organizado da mais-valia produzida, entregando-a ao capital financeiro e financiando as guerras imperialistas.
O capitalismo está ferido e a sangrar. Mas como qualquer fera ferida atacará tudo e todos para sobreviver. É então necessário, agora que a crise entra agora numa fase qualitativamente nova, desenvolver, fazer pulsar o factor subjectivo da luta. Aquele que – numa situação de profundíssima agudização da luta de classes e de acumulação de factores objectivos para o desenvolvimento da luta – pode de facto demonstrar que os limites do sistema foram ultrapassados e que a tarefa concreta e possível é a superação do capitalismo e a construção da alternativa – o Socialismo.
A realidade demonstra, como sempre demonstrou a História, que esse caminho está nas mãos e na vontade dos trabalhadores e dos povos. São eles, somos nós, os artífices e os detentores da força necessária para, etapa a etapa, luta a luta, vitória a vitória, abrir, trilhar e alargar os caminhos da alternativa. E é no fundo isto que se vai passar no sábado… Porque o mundo não está condenado à barbárie de um capitalismo em putrefacção. Que ninguém falte à chamada!"
Ângelo Alves
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30/09/11
25/05/11
Apelo aos estudantes de Coimbra (a propósito das manobras provocatórias a pretexto da defesa do património da Universidade).

Um texto a ler a propósito da luta recentemente travada em pleno comício da CDU na escadaria em Coimbra, onde dezenas de manifestantes (estudantes) se insurgiram, curiosamente não contra os direitos que são ameaçados e retirados continuamente aos estudantes , mas contra o vandalismo(?) a que a escadaria teria sido sujeita, quando muitos devem saber que a propaganda e expressão ideológica por meio de murais não só é ancestral como constitucional:
"Que os estudantes de Coimbra - as duas dezenas de milhar de estudantes que não foram ontem à escadas monumentais protagonizar um triste espectáculo de arruaça e provocação política, e mesmo os que foram, pensando que estavam bem intencionados - reflictam sobre este acontecimento, sobre o que ele significa, sobre a História da Academia e sobre o papel da Associação Académica que é suposto representá-los.
É que é a primeira vez que o Presidente da AAC se envolve e objectivamente alimenta uma provocação político-partidária e interfere directa e publicamente numa campanha eleitoral, tudo em nome de uma suposta defesa de património da Universidade.
Como antigo estudante de Coimbra, ex-dirigente da AAC e activista em defesa da Universidade e do Ensino Superior Público, sinto profunda tristeza e vergonha por ver estas três letras e essa grande instituição - que tanto dizem a tanta gente e que tantas vidas marcaram - envolvidas numa tão baixa manobra partidária dirigida a partir dos gabinetes daqueles que ao longo dos anos têm dado machadadas atrás de machadadas no ensino superior público, têm condenado a Universidade de Coimbra ao constante aperto de cinto e têm tratado os estudantes de Coimbra como uns mariolas que só sabem gastar dinheiro aos pais e ir para as ruas fazer barulho.
Esses são os mesmos que não lutaram contra o fascismo, tendo alguns mesmo apoiado a ditadura. Esses são os mesmos que não sabem o que é receber a notícia que um companheiro de luta morreu ou foi preso porque decidiu lutar pela liberdade e também pela Universidade como espaço de criação e resistência. Esses são os mesmos que não sabem o que foram as reuniões e encontros clandestinos na baixinha de Coimbra para organizar e dar força ao movimento estudantil contra o fascismo. Esses são os que não conviveram bem com o movimento das repúblicas e que hoje, apesar dos discursos, as continuam a olhar com desconfiança. Esses são os mesmos que não estavam na sala 17 de Abril, que calaram ou fugiram quando os cavalos da GNR subiram à alta.
Esses são os mesmos que não foram às manifestações em defesa do ensino superior público, que não sabem o que foi organizar a primeira manifestação em Coimbra contra as propinas contra a opinião da DG/AAC da altura. Esses são os que nunca souberam o que é apanhar da polícia apenas por defender o direito às bolsas e às residências, que não sabem o que é dar horas e forças da nossa vida a dinamizar secções da AAC e a discutir como arranjar dinheiro para pagar bolsas atrasadas ou salários aos funcionários da AAC. Esses são os mesmos que não sabem o que é passar noites em claro a produzir comunicados e panfletos e depois, de manhã, ir para o cimo das Escadas monumentais fazer distribuições e falar com milhares de estudantes.
Esses são aqueles que não sabem o que é passar dias inteiros a ir falar às turmas explicando o que era, e que mal fazia, a lei de financiamento do PSD (primeiro) e do PS (anos depois). São os mesmos que nunca sentiram o coração a palpitar numa Assembleia Magna, que nunca sentiram o orgulho e a alegria de ver, na Estação de Santa Apolónia, sair de dois grandes comboios uma imensa mole humana de estudantes vestidos de negro – sim o mesmo traje que foi usado ontem – gritando “Académica!”.
Esses nunca saberão a emoção que ainda hoje se sente quando se pronuncia a frase “estudantes unidos jamais serão vencidos!”
Não venham falar de respeito pela Universidade!!! Respeito pela Universidade é lutar por ela, é dar parte da nossa vida a ela, é defender o seu património todo, o seu coração – as pessoas e os princípios - e a sua história de luta! Pintando as escadas monumentais sim senhor! como tantas vezes se fez, e fazendo tantas outras coisas e tão bonitas, como um concerto de música clássica no pátio da universidade para comemorar o aniversário da AAC ou como uma invasão pacifica da “Cabra” para dizer que estávamos em luta!
Respeito pela Universidade é conhecer a sua História, os seus corredores, os seus problemas, as suas dores, e também as suas alegrias, conquistas, belezas e potencialidades, e não apenas umas escadas que, despidas da história de resistência de que foram palco, são apenas pedras mandadas colocar por Salazar que, fique sabendo-se, destruíram outras que ali existiram antes – as Escadas do liceu.
Fiquem sabendo aqueles que consideram as escadas monumentais o “símbolo” da Universidade que a concentração de edifícios na alta universitária mandada erigir por Salazar foi-o com um objectivo: restringir a circulação dos estudantes àquele espaço. E fiquem sabendo esses mesmos que a construção desses “símbolos” implicou a destruição de parte considerável do centro histórico de Coimbra, nomeadamente edifícios como a antiga sede da AAC, o Governo Civil, a Biblioteca Geral, igrejas e parte da muralha medieval da cidade.
Não venham invocar o respeito pela Universidade! Respeito pela Universidade é não atacar e não provocar aqueles que a defendem, mesmo que esses não partilhem a nossa ideologia. Respeito pela Universidade é saber o que significa de facto o conceito da unidade. É saber (como os comunistas souberam e sabem) trabalhar lado a lado com gente muito diferente, defendendo o direito à educação, respeitando as tradições da Academia (mesmo não concordando muitas vezes com todas elas) e trabalhando para que a Universidade continue a ser um espaço de profunda democracia, de irreverência plena de conteúdo, de participação, de partilha de saberes e experiencias, de solidariedade, fraternidade, amizade e amor a causas.
Respeito pela Universidade não é dizer que aquelas escadas são da AAC ou da Universidade, como pobre e tristemente afirmou o estudante que hoje assume o cargo de Presidente da AAC. Como muitos sempre defenderam, e como tantas vezes a DG/AAC soube interpretar sabiamente, a Universidade é dos estudantes, da academia e da cidade, é de todos, e não de alguns! Ninguém é dono dela!
Aqueles que invocando UNESCO's e afins querem divorciar a Universidade de Coimbra da cidade saibam que estão a matar a Academia aos poucos! A Universidade e os seus edifícios não são museus, são pedras com vida e com história, são aquilo que em cada momento os estudantes e as gentes de Coimbra quiserem que ela seja! Aquelas escadas não são um monumento, são umas escadas! Mas umas escadas especiais, muito especiais, porque nelas e através delas, já se lutou muito pela democracia, pela liberdade, pela justiça e pela Universidade.
Sou Comunista. Os comunistas sempre estiveram ao lado dos estudantes de Coimbra, temos um património e uma acção presente da qual muito nos orgulhamos. Somos respeitados por isso e temos grandes amizades junto daqueles que connosco aprenderam, lutaram e trabalharam pela AAC e pela Academia, e com os quais aprendemos tanto também! Esses sabem que pintar as escadas monumentais é tudo menos um acto leviano, de desrespeito para com quem quer que seja.
É natural que alguns dos que estiveram ontem envolvidos na provocação à CDU não saibam a história toda daquelas escadas e da luta estudantil em Coimbra (antes e depois do 25 de Abril, antes e depois das lutas das propinas). Mas faço um apelo, que se informem e concluam que pintar as escadas monumentais com slogans que defendem os estudantes e o ensino superior público gratuito e de qualidade foi um profundo acto de respeito! Não para com as escadas, que são pedras, mas para com aquilo que de melhor já lá se passou, para com a Universidade, para com os estudantes, para com a Academia e para com a cidade de Coimbra. Foi um acto de propaganda legítima, mas também uma homenagem!
E foi também um grito de alerta para chamar a atenção que a política não passa apenas na televisão, como uma qualquer novela. Que a política é criatividade, é esforço pessoal, é generosidade e pode e deve ser feita por todos!
Aos estudantes e às gentes de Coimbra fica o apelo: reflictam… reflictam se vale a pena tentar calar aqueles que não se resignam à política espectáculo, à política “plástica” desprovida de ideias, ideais e sonhos.
Reflictam se é nos que insistem – como a CDU - num método de propaganda legal e legítimo, que está referenciado nos anais da História da Universidade de Coimbra e que inclusive faz parte do acervo que agora é candidato a património mundial, que está o perigo de destruição do património da Universidade, dos Estudantes, da AAC e da bonita cidade de Coimbra.
Ângelo Alves - 25.05.2011
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24/01/11
Miriam Makeba - A Luta Continua
Ao passear pelo Youtube cruzei-me com a Miriam Makeba. Já não a ouvia desde a minha convivência, na faculdade, com uns amigos da Guiné, país onde ela viveu depois de ser "afastada" dos EUA, por activismo, ao lado do seu companheiro. Esta sul-africana, além de cantora foi também uma activista notável dos direitos humanos, e em particular uma lutadora acérrima pela extinção do apartheid.
São pessoas como a Miriam que transformam o mundo, "passo a passo", pela convicção, pela persistência, pelo humanismo impulsionador da força que não as deixa sucumbir...
Mudaria, na letra desta canção, o país: em vez de Moçambique que se oiça Portugal e que se cante com a Miriam:
"My brothers and sisters: stand up and sing!"
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